Yeah, a vida é totalmente ordinária, mas nós não precisamos ser, ok? Por quê? Ora, nós somos joviais, inteligentes, confiantes, e as vezes (ou sempre) malvados com eles. Quem são eles? Eles são essas pessoas pequenas, insignificantes, sem graça, absolutamente desprovidas de charme, de alegria, de joie de vivre, perversas em todas as suas ambições.
Nós, somos mutantes perdidos à procura de auto conhecimento, de novas descobertas, de novas tendências. Somos sobreviventes dos maravilhosos anos 80 (a quem amamos acima de tudo), mas estamos aqui, no século 21, correndo atrás de nossas identidades perdidas, armados até os dentes com nossos mísseis anti-depressão. Temos nossos super heróis que assim como nós estão em busca do planeta perfeito.
Vc, assim como eu, tb é um sobrevivente. Um sobrevivente do medo, do rancor, do ódio, da incapacidade intelectual. Nossos olhos enxergam além dessa tela vazia que é a vida, pois somos cheios de imaginação, e como Mia Farrow em “Rosa Púrpura do Cairo” preferimos viver a fantasia em preto e branco. Não nos interessa a superficialidade das coisas, mas sim a integração do nosso mundo à natureza.
Nossos ouvidos estão sintonizados com parabólicas que nos levam a outros continentes e nos fazer ver imagens em terceira dimensão. Nossa trilha sonora é a base de sons estridentes & calmos. Temos preferências, mas não fazemos disso uma bandeira brutalizante da moda, do fashion week. Praticamos sexo como se pratica yoga, na mais absoluta paz, sem outdoors ou outing...
Sonhamos de olhos abertos, pois temos medo de dormir e acordar nos terríveis anos 70. Celebramos nosso amanhecer no quintal, brindando sempre & sempre ao eterno retorno de nossas crianças interiores.
Estamos eternamente em comunhão. Temos o compromisso com o autêntico, com o verdadeiro, apesar de nem sempre termos acesso a ele.
Não somos covardes. Estamos prontos para qualquer batalha, mas nos reservamos o direito do silencio do pensamento. Assim, nos tornamos sábios e irresistíveis.
Como já disse antes, a vida é muito ordinária, mas isso não nos diz respeito, já que somos imunes a ela.....e também imune a qualquer spray do racionalismo e preconceito, da mesmice, do convencionalismo moral. Somos contemporâneos sem compromissos com a esquerda ou direita, azul ou vermelho, branco ou negro. Vivemos no mais absoluto abismo de todas as incertezas, buscando nosso paraíso particular que pode estar aqui ou ali...ou em qualquer lugar....
Não buscamos fama & dinheiro. Nosso plano de conquista é amplo, mas exclui tanques de guerra e porta-vozes americanos com metralhadoras e microfones. Somos aliados dos que buscam assim como nós, um mundo mais digno e mais alegre. Não fazemos oba oba de carnaval, nos trancamos em nossos quartos e dançamos a nossa música particular.
Celebramos nosso ano novo com modestos foguetes via marte, embutido de mensagens anti seqüestro, anti assalto, anti matança, anti ataques.....E esperamos resgatar com o nosso sopro de atitude e tolerância o que julgamos ser imprescindível para a nossa sobrevivência:
PAZ. HARMONIA. COMUNHÃO.
Manaus
Por que será que não consigo te amar?
Teu calor
me assombram
O inverno que não existe
O vento que nunca vem
A fumaça do solo seco
As pessoas tão felizes
um caos que amedronta
uma paz que não se realiza
é barulho demais
cidade da insônia
que esconde suas neuroses
em cada bar do bairro.
Sem fingimentos
Manaus pulsa
se revelando uma verdadeira
ceifadora de sonhos.
No caso...
os meus.
Não me olha assim
que eu me afundo
me infesto
vou com tudo
e esqueço
esse desejo enorme
de não querer
querendo
mergulhar
nesse azul enorme
que lembra o mar da alma
tão deslumbrante
quanto um beijo
promessa de
uma felicidade que eu
nem acredito.
Deixa eu sonhar
com
tolices que esses
olhos me
anunciam
simplesmente
por não saber do perigo que corro.

Minha casa é aquilo que eu sempre quis de um lar.
Quartos grandes. Dois banheiros distintos. Cozinha razoavelmente espaçosa.
Ela pode não ser o modelo perfeito presente nas revistas de decorações.
Tudo bem.
Adoro as poltronas da sala.
Grandes e confortáveis .
É nelas que repouso todas as minhas ambições cinematográficas.
Pela primeira vez na minha vida, eu realmente me sinto à vontade.
E a mania de limpeza?
Obviamente que continuo procurando teias de aranhas e pó nas prateleiras.
Algo de muito inquietante acontece quando vejo lugares sujos.
Nada mais me deprime do que uma pia repleta de restos de comida.
Não acredito que isso mudará.
Talvez eu sempre tenha sido assim.
Talvez tudo do que precise seja um pelotão de empregadas com vassouras pra lá e pra cá, enquanto leio calmamente e dou ordens.
De qualquer forma, eu sei que acabaria fazendo tudo do meu jeito.
Certas coisas não mudam.
Apenas deixam de ser porque morremos...
assim...
feito plantas sem água em dia de sol.
Ouvido arrebentado por algum motivo.
Olhos que coçam sempre.
Óculos de grau com defeito?
Deve ser.
Sinto uma parte de minha se desmachando.
Quase indo embora.
Não quero me convencer de que estou velha.
Nada disso.
São problemas apenas.
Coisas da idade.
Sou meio neurótica com sintomas.
Diabética?
Dane-se.
Tento de verdade não me sentir acuada.
Mas, é tão difícil sobreviver à data de nascimento.
44 anos.
Poucos.
Ainda atenta e disposta.
Mesmo assim, eu assumo um enorme pavor da velhice.
Não quero sofrer muito.
Espero morrer calmamente
Ouvindo Madredeus
sem uma arma na mão.

Devo explicar que não sou ninguém. Uma mulher. Pouco diferente da maioria. Bem igual mesmo. Penso. Sonho. Brigo. Odeio. Gosto. Implico.
Sei de tudo um pouco. Nada sei depois. Transpiro no calor. Choro no frio. Gozo quando quero. Não troco amor por prazer. Descobri que tudo é válido. Mas tem coisas que não quero pra mim. Cartão de crédito. Conta bancária. Carro na garagem. Obrigações que temo. Sou afoita. Visa ou Credicard. Visto permanente em Mônaco. Lancha importada. O jet set é caro.. Ainda procuro um espaço pra colocar minhas velharias. Enquanto isso, navego em dívidas. Luz. Água. Tv a cabo. Faço de tudo para o tempo passar mais rápido. Só pra descobrir depois que não faz diferença. Lá se foi mais um dia de agonia. Acabou o domingo. Volto pra segunda-feira. Meus papeis na mesa. A calculadora. O computador. Fazem parte do dilúvio em mim mesma....
Findou o devaneio. Sou real e preciso comer.
Vai pra merda lady gaga. Devolve a peruca. Os Cílios. O nariz perfeito. Vai bancar a cool girl em outro manicômio. Etiquetas penduradas no varal. Gucci ou Prada ou D&G. Whatever. Consumo pop fácil. 2011 mentiras contadas. Juram que é novidade. Prefiro a Debbie. Enchi de menina bonita branca com cara de má. O underground é logo ali. Paga pra entrar. Tem pulseira brilhante. Óculos caro. Tudo muito Joyce Pascowitch. Produtinho THX pré fabricado em made in china by USA.

Labirintus dos meus segredos que eu guardo em algum canto. Sala largada de mim mesma que foi sendo despejada de todos os sentimentos. Ficou oco feito qualquer coisa. Sei lá o que vem a ser esse infinito instinto de sobrevivência. Todos os cantos que não sou eu e nunca fui eu. Continuo em órbita gradual do rato de teste. Tateando no escuro com um buraco do nariz entupido de maizena....
Sobrevi ao caos.
Voltei do mesmo jeito que fui.
Sã.
Me deparei com pensamentos.
Era eu mesma me fazendo perguntas absurdas.
Será que sou feliz ou tudo é um sonho?
Não me entendo muito.
Tem dias que dá vontade de sorrir.
Em outros não quero mais nada.
As cinzas do reveillon
não deixaram saudade.
Espero que demore outra comemoração
Não sou alegre o suficiente para festejar datas assim....
Assumidamente gay
mulher
ciumenta
estranha
relaxada
intolerante
crítica
fresca
casada
imprevisível
pacata
infernal
patética
solidária
frenética
amarga
cruel
doce
quase meiga
porém
egoísta
gorda
comilona
dietética
magra
sem peso
feliz
depressiva
eis-me
aqui
presente
na sala de aula
aprendendo a me olhar
nos espelhos tortos
da minha mente.
Quem sou eu
- Cláudia Pereira
- Uma pessoa que se procura nas telas grandes e pequenas, do VHS à 3D...
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